Sandra Silva é Professora e Socióloga.
Atualmente é acadêmica do curso de Direito, 10º semestre, Universidade da Região da Campanha, Campus Alegrete.

Email: sandra.silva@farrapo.com.br
     
 
Qual é a verdade mesmo?
     

Estou convicta de que os brasileiros não estão percebendo o que se passa ideologicamente na nação. Se tivessem consciência não estariam tão despreocupados a consumir férias, esbaldar-se em aquisições que os endivida e pensar que o carnaval vai alegrar todas as dores.
As reformas estruturais tão necessárias à democracia estão sepultadas a sete palmos. Tornaram-se cadáveres que apodreceram e, mal cheirosos, foram jogados no fundo da terra mais rápido do que o tempo que circularam moribundos. Obviamente as reformas não poderiam ter vida, eis que impeditivas para um Estado que deseja comandar tudo.
Qualquer indivíduo que hoje faça críticas ao que está posto está fadado ao desterro. Todos estão embevecidos com as glórias do renascimento de um país que nunca antes foi tão generoso com seus pobres e tão maravilhoso com seus ricos, oportunizando àqueles migalhas e a estes, tesouros.
As gerações com idade abaixo de 30 anos pouco conhecem da verdadeira história brasileira que traçou rumos na década de sessenta. Até hoje a literatura é vasta apenas para um lado. O outro virou escória, no entanto foi quem livrou a Terra de Santa Cruz de uma cruz pesada se houvesse sido implantado um governo autoritário sob ideologia comunista que era a pretensão da esquerda reacionária daquela década.
Ouve-se a boca grande que os crimes revolucionários já prescreveram, mas os dos agentes do Estado são imprescritíveis na medida em que são crimes contra os direitos humanos. Apenas para recordar alguma coisa desse passado lembremos a morte de um oficial americano e o seqüestro de um embaixador, o óbito de soldados brasileiros e de anônimos e inocentes civis em atentado à bomba, atos terroristas cometidos pelos defensores de um regime ditatorial. Muitos autores desses atos estão hoje à frente dos negócios do país com a liberdade conquistada pela anistia acordada entre as partes.
Agora se brada contra o crime de tortura, mas também não foi torturador aquele que aprisionou a força indivíduo não combatente, mantendo-o sob a ameaça da morte? Será que matar transeuntes é acidente de percurso?
Se for para fazer a catarse de uma época, então que se faça por inteiro, ou seja, de ambos os lados, porque é uma ignomínia pensar que só um lado foi demoníaco. Dessa forma estarão resguardados os direitos humanos de uns e outros. Caso contrário, há de se pensar que tudo é desforra vil e ordinária.
 

     
 
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